"Por que perder a esperança de nos tornar a ver? Por que perder a esperança se há tanto querer?".
Mesmo perto parecia tão distante a música que cantavam ao meu redor, era como se o tempo estivesse parado. A imagem da fogueira no centro de tudo aquecendo a noite fria, o círculo de amigos abraçados, a noite estrelada sobre nossas cabeças... Tudo parecia ter sido escolhido a dedo para que aquele momento ficasse marcado.
Foi no meio desse cenário que ela percebeu quão importante é ter amigos, e o quanto a amizade é um dos sentimentos mais bonitos que ela já viu.
Não conseguiu conter uma lágrima. Ficou feliz por não ser a única. Todos estavam na mesma sintonia, com o mesmo pensamento.
"Por que perder a esperança de nos tornar a ver? Por que perder a esperança se há tanto querer?".
Já fazia uns cinco anos que ela tinha escutado essa canção pela primeira vez, que tinha sentido todo o maremoto de sensações que aquele rústico ritual estava disposto a oferecer, que tinha entendido o que era a verdadeira amizade.
Agora ela estava, novamente, como na manhã posterior àquela fogueira há cinco anos: com o coração apertado, com a dúvida nítida transparecendo aos olhos, sem ânimo para entoar canções. Estava nesse mesmo humor, exceto pelo ambiente barulhento da rodoviária e pela passagem em sua mão.
Calmamente foi caminhando até o guichê que autorizaria sua partida, dessa vez com um sorriso sincero no rosto, afinal, como diz a mesma música: "Bem cedo junto ao fogo, tornaremos a nos ver".
Erick Guerra