Ao escutar o barulho das chaves na porta meu coração falhou uma batida, sabia que era você. Esse é o horário que você sempre chega, mas não há como explicar, cada vez é única, é como se fosse a primeira.
Seu perfume me inebriando os sentidos, seu sorriso de canto de boca e os cabelos molhados pela chuva forte que caía lá fora. Tudo contribuía para formar aquela cena tão batida dos filmes.
Você tira sua jaqueta de couro e deixa em cima do sofá, mesmo sabendo que eu odeio essa sua mania. Tira as botas e as meias e as deixam no meio da sala. Nada disso importa quando você cala – propositalmente - a minha bronca com seus beijos intensos.
Faz-me sentir única, a escolhida, especial. Faz-me sentir que tudo o que eu lutei para conseguir valeu a pena. Faz-me sentir sua e somente sua.
Engraçado pensar nisso. Tudo começou por uma brincadeira inocente: as provocações, os olhares. Nosso jogo favorito fugiu do nosso controle. Hoje penso que foi nosso erro mais acertado.
Todas as nossas diferenças gritantes, toda sua irreverência me tirando do metodismo dos meus dias. A completa harmonia do inimaginável.
Nem percebo quando você me pega no colo e me leva escada acima. Tudo parece tão lógico, tão banal. O modo como me encaixo nos seus braços e como você consegue me fazer rir de tudo.
Sim, nosso jogo favorito, nosso erro mais correto. Nós dois, apenas nós dois...
Erick Guerra