Tic-tac, tic-tac, tic-tac... O barulho incansável dos ponteiros fazia solo para aquele melódico silêncio que se instaurara no pequeno aposento.
O clima estava pesado, faltavam espaço e ar puro. Sentia-se assim pela impotência de achar respostas nos turbilhões de descobertas dos últimos tempos.
Ao seu lado jazia mais um bêbado que não acompanhou o ritmo. Era sempre assim. Nunca achava companheiros para suas jornadas. Trazia sempre alguém ao seu lado, mas nunca consigo.
Constante contradição! Deveria ser esse o motivo de tal doença, tinha que ser. Se não fosse, qual seria?
Tic-tac, tic-tac, tic-tac... Décima volta em torno da pequena mesinha de centro, vários cigarros apagados no cinzeiro e garrafas jogadas pelo chão.
Erick Guerra