...

Já fazia algum tempo que estava esperando embaixo daquela chuva forte, tanto tempo que não sabia mais exatamente o quanto. Queria lavar o cabelo, o corpo, a roupa que mantinha aquele cheiro tão característico dele. Queria mesmo era lavar a alma. Ter a certeza que toda aquela água levaria para longe seus sofrimentos e seus pensamentos. Diluiria os seus pecados até reduzi-los a nada.

 

Continuava sentada no chão da calçada de pedra, encostada no muro de tijolos. Podia sentir o frio cortante que passava a cada sopro do vento. Podia sentir os doídos pingos de chuva. Fazia bem a ela esse sofrimento, pois ele aliviava os que, com ela, já existiam. E eram tantos. Mentia tanto que nem para si mesma sabia mais quem era. Queria fugir, correr pra longe, pra um lugar seguro, para aqueles braços fortes que sempre a ampararam. Ah! Aqueles braços fortes! Como sentia falta deles...

 

Tola, frívola, arrogante. Pagou um preço alto, um preço que não imaginava ser de tão absurda grandeza. Ah! Como queria poder voltar no tempo e consertar tudo o que não pode mais. Pedir perdão por partir e deixar partir, por errar e persistir no erro. Teimosa! Sim, nunca se imaginou admitindo tal fato, mas era irremediavelmente teimosa!

 

Ah! Essa cabeça-dura que tanto impede de evoluir, de caminhar focando no presente e não no passado... Amadureceu tão rápido, tão forçadamente, tão dolorosamente.

 

Decidiu entrar e tomar um banho quente, afinal uma gripe agora seria apenas mais um problema desnecessário.

 

Não conseguia enxergar o que tão errado se passava com ela naquele momento. As roupas que sempre desejou esperando por ela em cima da cama; seus perfumes caros; cremes e sabonetes importados; estavam todos em seus devidos lugares; as toalhas bordadas com seu nome colocadas cuidadosamente nos locais apropriados...

 

Quanto fingimento! Tanto zelo só para mostrar a perfeição que tem que ser a sua vida. Não tinha o direito de errar, de cometer todas essas imprudências que em questão de meses cometera... Tarde demais para se sentir culpada, sentir-se com remorso. Já traçara seu próprio caminho sem volta e teria que arcar com essas conseqüências.

 

Um suspiro cansado, uma lágrima que corre solta do lado esquerdo do seu rosto. Era hora de encarar o mundo. Tudo isso começou por uma brincadeira imprudente e fugiu do seu controle. Amaldiçoar o dia que resolveu ir até lá não resolveria seus problemas.

 

Tarde demais para uma pequena garota, cedo demais para uma grande mulher...



Postado por: Senseless Amy às 02h09
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Café

Sem apresentações, sem divulgação dos motivos...

Deitada no sofá da espaçosa e escura sala, iluminada apenas pela luz que emanava da televisão. Estava cansada, desestimulada, frustrada. Frustrada acima de tudo.

 

Olhava novamente para a xícara de café vazia na esperança de que ela se encheria sozinha. Após perceber, ou aceitar, que não brotaria mais café, decidiu ir à cozinha pegar mais.

 

Aquele cheiro característico a enchia de esperanças, contrastando com o gosto amargo e quente que descia pela garganta. Deveria ter colocado mais açúcar.

 

Sua vida resumia a uma xícara de café. Um começo delicioso regado a esperanças caminhando para o gosto amargo da indiferença. Sentia-se inútil por não conseguir colocar o açúcar necessário na sua vida.

 

Jogava-se novamente no sofá a espera do sono e início de mais um dia, com um café bem forte e, de preferência, doce o suficiente.

 



Postado por: Senseless Amy às 01h52
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Texto curto, ridículo, sem conteúdo construtivo. Escrito a um tempo atrás, sem novidade aparente.

 

 

 

Tudo o que eu queria era poder estar ao seu lado, sentir o cheiro do seu perfume, escutar sua voz sussurrando no meu ouvido e sentir seus braços ao redor do meu corpo.

 

Queria fingir que está tudo bem e que voltaríamos a nos ver. Saber que ao abrir meus olhos pela manhã você estará ao meu lado zelando pelo meu sono. Saber que poderia dormir aninhada nos seus braços e poder, sempre que quiser, ter um beijo seu.

 

Sinto falta das nossas conversas de amigo, nossas noites de amantes e nossas tardes tranqüilas de namorados.

 

Lembro-me dos sorrisos e das lágrimas que derramamos... Foi à toa, agora vejo. Se me arrependo? Apenas de deixá-lo partir... Deveria ter coragem pra correr atrás, pegar as malas e fugir, jogar tudo para o alto. Desculpo-me pela fraqueza de não corresponder a sua expectativa, de não cumprir o acordo, de não ser forte o suficiente. Da mesma maneira que o perdôo por me deixar sair da sua vida sem mais explicações...

 

Quem sabe um dia não começaremos de novo, como dois estranhos que se conheceram por acaso e que construirão uma bela história juntos?

 

Tenho que superar do mesmo modo que devo deixá-lo fazer também. Ter apenas como lembrança todos os momentos que passamos e continuar a seguir a minha vida, levá-la em frente...

 

Se te amei? Muito... Se ainda te amo? Claro! Se vou te amar? Sempre, eu acho. Você é e sempre será uma das minhas lembranças mais felizes...

 



Postado por: Senseless Amy às 17h57
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