O baque surdo do meu corpo quebrou o silêncio daquela gélida paisagem. Alguns pássaros voaram do topo das árvores após o sonoro estopim. O sangue que escorria do meu corpo manchava de vermelho o solo branco coberto de gelo. Em meu rosto, ainda surpreso, jazia um sorriso.

 

Acho que tão surpreso quanto eu, estava você. Por mais que já havia planejado o ato, se preparado, não havia, sequer, imaginado minha reação. Não esperava que eu, no mais íntimo do meu corpo, escondido de minha consciência, aguardava sua ação.

 

Vi-o cambalear em minha direção, com o pequeno revólver entre os dedos. Este estava frouxo e quase caía de sua mão. Por um segundo, ponderou em se ajoelhar ao meu lado e pedir-me desculpas. Vi que o remorso o corroia por dentro e não posso negar que, pela primeira vez, apreciei.

 

O seu desespero era quase palpável. Pensou que te amaldiçoaria ou tentaria revidar, mas, ao contrário, abri meu melhor sorriso, aquele que você tanto gostava. Queria que quando você fechasse os olhos, visse meu sorriso e como parti te perdoando.

 

Contudo, meu gesto, ainda que pequeno, causou-lhe náuseas e repúdio a si mesmo. Vi que você nunca mais conseguiria fechar os olhos e não se lembrar do meu sorriso, assim como, para sempre, se sentirá culpado por tirar a minha vida.

 

Ainda pude ver, sem muita nitidez, o nó que formou em sua garganta e seus olhos marejados. Só não consegui perceber quando caiu aos meus pés, sem forças para se manter em pé, após escutar de mim, sôfregas e abafadas, minhas últimas palavras:

- Ainda te amo.



Postado por: Senseless Amy às 15h10
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Promessas

Os pés brincavam livremente no ar, sentada à beira daquele pequeno penhasco. A paisagem era linda, sem dúvidas. As ondas bailavam no mar agitado daquele fim de tarde, colidindo rapidamente com as grandes rochas alojadas a poucos metros dali. O céu era pintado, mais e mais, por tons de laranja, deixando a linda paisagem imortalizada em sua memória. Ao seu lado uma garrafa de scotch quase vazia e um maço de cigarros pela metade. Aqueles seriam os últimos. Um riso alto e involuntário se formou. Adorava suas promessas de Ano Novo. Colecionava em seu passado várias, a grande maioria nunca deixou de ser promessas.

Agora, naquela tarde de outono, tinha em mente mais outras tantas.

Depois de mais um longo trago e uns minutos apenas escutando o barulho das ondas, selecionou as mais urgentes.

Decidiu-se, novamente, que dessa vez seria diferente. Colocaria em prática todas as promessas e seria uma nova pessoa; mas dessa vez, por ser outono, e não verão, acreditava que finalmente daria certo. Tinha de acreditar. Depois daquele exaustivo dia, cheio de contratempos, verdades estarrecedoras e partidas, era tudo que precisava. Assim como de um bom banho e uma cama quente.



Postado por: Senseless Amy às 03h47
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Estava em pé, no escuro da varanda do meu apartamento, totalmente consciente de que a festa ainda rolava às minhas costas; os gritos altos, tais quais as músicas e risadas, davam-me fortes indícios disso. Eu não me importava. Por tempos, era a primeira vez que eu realmente não me importava.

 

Continuei a olhar para as luzes da cidade. Só me dei conta de que o motivo para tanta reflexão me fitava, a poucos metros de distância, quando me abraçou pelas costas, apoiando seu queixo em meu ombro.

 

-Gostaria de saber o que te faz pensar tanto e perder uma festa dessas. – Disse deveras perto do meu ouvido, causando-me um arrepio involuntário.

 

Você. – pensei. – A vida, oras.

 

-Nossa, acordou pra filosofar hoje, foi? Não dava pra deixar isso para depois, não? – Falava com um tom divertido, sem me livrar do abraço.

 

- Ah, bem que eu gostaria, mas já está tirando a minha paz e minha sanidade. Bem, sanidade nem tanto, considerando que eu nunca a tive, não é? – Meu tom de voz, por mais que se esforçasse em se manter divertido, saiu um tanto quanto derrotado.

 

O silêncio que caiu sobre nós foi intenso; cada um em seu devaneio próprio, quebrado apenas pelo barulho das nossas respirações.

 

- O que eu mais sinto falta, sempre, é do seu abraço sabia? – À medida que dizia isso, aumentou a pressão do seu abraço em mim, depositou um beijo em minha bochecha e saiu tão silenciosamente quanto entrou.

 

- Não mais do que eu, não mais do que eu.



Postado por: Senseless Amy às 04h52
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Amargo.

Amargo. Seria essa a palavra exata. O gosto que desce pela minha garganta é amargo.  Por te ver partir a cada momento, por ter ver a cada instante mais distante, um pouco mais longe de mim. Seus olhos ainda me atormentam, seu sorriso perfeito, o calor dos seus abraços que tanto sinto falta. Tudo isso me faz falta. Você me faz falta.

 

A cada faixa da pista que vejo, mais uma lágrima surge em meus olhos. Embaça minha visão, aperta meu coração. Queria você aqui comigo. Sempre.

 

Não ter você do meu lado, me atormenta, dói pensar em te perder. Deixa este sabor que desce pela minha garganta. Amargo, e nada mais.



Postado por: Senseless Amy às 03h05
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Por que perder a esperança?

 "Por que perder a esperança de nos tornar a ver? Por que perder a esperança se há tanto querer?".

Mesmo perto parecia tão distante a música que cantavam ao meu redor, era como se o tempo estivesse parado. A imagem da fogueira no centro de tudo aquecendo a noite fria, o círculo de amigos abraçados, a noite estrelada sobre nossas cabeças... Tudo parecia ter sido escolhido a dedo para que aquele momento ficasse marcado.

Foi no meio desse cenário que ela percebeu quão importante é ter amigos, e o quanto a amizade é um dos sentimentos mais bonitos que ela já viu.

Não conseguiu conter uma lágrima. Ficou feliz por não ser a única. Todos estavam na mesma sintonia, com o mesmo pensamento.

 

"Por que perder a esperança de nos tornar a ver? Por que perder a esperança se há tanto querer?".

Já fazia uns cinco anos que ela tinha escutado essa canção pela primeira vez, que tinha sentido todo o maremoto de sensações que aquele rústico ritual estava disposto a oferecer, que tinha entendido o que era a verdadeira amizade.

 

Agora ela estava, novamente, como na manhã posterior àquela fogueira há cinco anos: com o coração apertado, com a dúvida nítida transparecendo aos olhos, sem ânimo para entoar canções. Estava nesse mesmo humor, exceto pelo ambiente barulhento da rodoviária e pela passagem em sua mão.

 

Calmamente foi caminhando até o guichê que autorizaria sua partida, dessa vez com um sorriso sincero no rosto, afinal, como diz a mesma música: "Bem cedo junto ao fogo, tornaremos a nos ver".



Postado por: Senseless Amy às 22h16
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Por quê?

Eu não te entendo, sabe? Sério mesmo! Acho que você sempre vai ser uma incógnita pra mim, um segredo, uma surpresa... Pode ser por isso, e exatamente por isso, que você me fascina tanto...

Sua mudança repentina, suas indiretas, seus sorrisos canto-de-boca... Não consigo acompanhar... Sinto-me perdida, você me deixa perdida...

Falta-me o chão nos teus braços, nos teus carinhos, nos teus abraços... Quando você me olha nos olhos sinto-me nua, frágil, como se fosse possível desvendar meus maiores segredos...

Você me tira a sensatez, a timidez, aquela barreira e me torna humana...  Estranhamente humana, estupidamente humana, absurdamente humana...

Vejo meus erros e não corro, celebro minhas vitórias, choro minhas derrotas, mas não passo em branco, não com você...

Será que um dia, nem que for um só dia, você vai me contar o porquê de tudo? Vai me contar o que quer? Vai me contar por que comigo?



Postado por: Senseless Amy às 23h48
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Essa noite seria, mais uma vez, aquela que passaria a sua maior parte deitada olhando para o teto com um sorriso bobo nos lábios e um frio na barriga. Esta tão constante esse quadro que já nem mais ligava...

Sentia-se tão frágil, tão pequena, tão perdida quando estava com ele. E muito mais ainda sem aquela presença tão viciante. Ele era seu vício e sua perdição. Aquele que lhe dava cores as manhãs cinzas de inverno e que lhe fazia prender a respiração de insegurança...

Ele era o motivo do tamanho racha que se ocasionou em sua pessoa. Ele era o responsável pelas mentiras descaradas que todos percebiam, pelas risadas fora de hora, pelo despertar do seu lado mais emocional e irracional...

Já cansou de contar às vezes que negou seus sentimentos, que disse que não queria mais, mas só foi ver o seu sorriso que se esquecia de todas as suas promessas e discursos e corria para seus braços...

E então? “Me dá mais um abraço?”.



Postado por: Senseless Amy às 01h23
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Oras e desde quando foi tão fácil assim se conformar? Perder noites de sono, sentir-se sozinha, pra quê? Decidiu que estava mais do que na hora de deixar isso passar... Esperar, viver... Se for será, senão já foi... Viver à margem, seguir a banda, rezar na mesma cartilha... Isso não era para ela, já sabia disso! Gostava de inovar, inventar, curtir... Queria os risos sem motivos, os brindes por nada, as festas às segundas...

Quanto aos sorrisos, aos abraços? Iria admirá-los, senti-los, apreciá-los, iria viver para eles, não mais por eles...

Vai tirar a poeira dos velhos vinis, ler mais uma vez aquele romance, assistir a mais filmes de suspenses...

Quem sabe ainda não dê para pegar à sessão da meia-noite?



Postado por: Senseless Amy às 02h12
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Por quê? Por que, droga! Decidiu dar mais um volta no parque para esfriar a cabeça.

Sabe que isso não é direito! Sabe que isso não é possível!  E sabe, principalmente, que isso é o que mais deseja... Não adianta negar, sempre que está perto seu coração falha uma batida, seus dias ficam mais felizes, se sente completa, como a muito não sentia!

Adora seus carinhos, sua preocupação, seu jeito meigo de fazer sempre as mesmas coisas... Os sorrisos sinceros, os abraços apertados, o ombro amigo...

Corre cada vez mais rápido para fugir dos sentimentos que ultimamente mais a atormentam. Sabe que não conseguirá fugir, sabe que eles sempre estarão lá. E sabe, também, que eles nunca vão se realizar...

Deve se conformar, ela sabe disso, mas é tão complicado... Quantas vezes não se pega pensando, sonhando, suspirando... Tudo em vão, mas fazer o quê? Não se podem escolher certas coisas, assim como essa...

Agora só resta chegar à casa, tomar um bom banho e continuar sonhando...



Postado por: Senseless Amy às 18h22
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Nosso erro favorito

Ao escutar o barulho das chaves na porta meu coração falhou uma batida, sabia que era você. Esse é o horário que você sempre chega, mas não há como explicar, cada vez é única, é como se fosse a primeira.

Seu perfume me inebriando os sentidos, seu sorriso de canto de boca e os cabelos molhados pela chuva forte que caía lá fora. Tudo contribuía para formar aquela cena tão batida dos filmes.

Você tira sua jaqueta de couro e deixa em cima do sofá, mesmo sabendo que eu odeio essa sua mania. Tira as botas e as meias e as deixam no meio da sala. Nada disso importa quando você cala – propositalmente - a minha bronca com seus beijos intensos.

Faz-me sentir única, a escolhida, especial. Faz-me sentir que tudo o que eu lutei para conseguir valeu a pena. Faz-me sentir sua e somente sua.

Engraçado pensar nisso. Tudo começou por uma brincadeira inocente: as provocações, os olhares. Nosso jogo favorito fugiu do nosso controle. Hoje penso que foi nosso erro mais acertado.

Todas as nossas diferenças gritantes, toda sua irreverência me tirando do metodismo dos meus dias. A completa harmonia do inimaginável.

Nem percebo quando você me pega no colo e me leva escada acima. Tudo parece tão lógico, tão banal. O modo como me encaixo nos seus braços e como você consegue me fazer rir de tudo.

Sim, nosso jogo favorito, nosso erro mais correto. Nós dois, apenas nós dois...



Postado por: Senseless Amy às 23h25
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Tic-tac

Tic-tac, tic-tac, tic-tac... O barulho incansável dos ponteiros fazia solo para aquele melódico silêncio que se instaurara no pequeno aposento.

O clima estava pesado, faltavam espaço e ar puro. Sentia-se assim pela impotência de achar respostas nos turbilhões de descobertas dos últimos tempos.

Ao seu lado jazia mais um bêbado que não acompanhou o ritmo. Era sempre assim. Nunca achava companheiros para suas jornadas. Trazia sempre alguém ao seu lado, mas nunca consigo.

Constante contradição! Deveria ser esse o motivo de tal doença, tinha que ser. Se não fosse, qual seria?

Tic-tac, tic-tac, tic-tac... Décima volta em torno da pequena mesinha de centro, vários cigarros apagados no cinzeiro e garrafas jogadas pelo chão.



Postado por: Senseless Amy às 01h01
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Medo

Espero que tenha funcionado pra você.

~~~

Medo. Tenho medo. Muito, na verdade. Sinto por não ser capaz, por não me achar suficiente, por pensar que nunca me encontraria. Sinto medo de não conseguir mais mentir, de minhas máscaras caírem, de perder tudo o que eu batalhei tanto pra conseguir. Sinto medo de me libertar, de sorrir, de ser quem eu quero. Sinto medo de me perder, de não saber mais o que fazer, de não ter lucidez. Sinto medo de me tornar tudo o que eu mais critiquei. Sinto medo de me tornar essencialmente igual a você.



Postado por: Senseless Amy às 01h40
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Mecanizado

Pessoas passam apressadas pela grande cidade. Todas tão focadas em seus mundinhos particulares que não se dão conta de que há muito mais em jogo do que um simples “um dia após o outro”.

 

Não se dão conta daquelas alegrias de compartilharem sorrisos, de andar de mãos dadas e admirar o pôr-do-sol. Não se dão conta de quantos gestos maravilhosos, quantas pessoas magníficas e quantas experiências enriquecedoras elas perdem todos os dias.

 

No isolamento de suas carrancas, de suas conversas rápidas e estritamente necessárias, as pessoas perderam o contato, o calor humano do cotidiano. Não se pode conversar com o caixa 24 horas ou com o porteiro eletrônico. Ele não dá o bom dia com um sorriso no rosto contando um capítulo da novela, discutindo política ou reclamando do jogo de futebol da quarta-feira.

 

Numa tarde estamos em Istambul, conectados pela internet, conversando com aquele colega que conhecemos num chat, mas não fazemos idéia do rosto do nosso vizinho. Conhecemos paisagens belíssimas e corremos na esteira da academia todos os dias, mas não sabemos como é nem a entrada do parque da cidade.

 

E viva a vida mecanizada do século XXI!



Postado por: Senseless Amy às 02h28
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Amigos são anjos sem asas, são a família que nos deixaram escolher. Fazia um tempinho que havia lido coisa semelhante, embora nunca tinha entendido muito bem, pelo menos não antes disso.

 

Dias triviais e ao mesmo tempo incomuns. Novidades a mil contrastando com mais um dia do cotidiano. Em meio dessa realidade foi que aconteceu. Foi nesse contexto que os anjos apareceram, que escolheu sua família.

 

Amigos que surgiram de repente, que entraram sem licença na sua vida, que se apoderaram da sua atenção e carinho, que se tornaram fundamentais. Anjos que a completam das mais variadas formas, que tornaram seus dias mais felizes, seu fardo bem mais leve, suas lembranças mais revigorantes e maravilhosas.

 

Sentirá uma falta imensa, até mesmo insuperável, mas há coisas que não podemos escolher, apenas viver intensamente cada momento, assim como os fez.

 

Agora tinha que concordar com as frases de que seja eterno enquanto dure e que tudo dura tempo o bastante para se tornar inesquecível.

 

Afinal, não é mais que um até logo, não é mais do que um breve adeus!



Postado por: Senseless Amy às 23h00
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Bastidores

Estava cansada de seguir nas sombras... Admirava aqueles sorrisos sinceros, sentia falta deles. Seguia-o para ter a chance de ver mais uma vez aqueles sorrisos, mesmo que não fossem para ela. Sentia falta daqueles abraços tão protetores que a faziam esquecer o mundo e de seus problemas. Na verdade, sentia falta mesmo era daquele brilho dos olhos, daquele brilho que a enchia de esperanças e coragem, que a fazia acreditar que tudo daria certo. Daquele toque macio de suas mãos no seu rosto que demonstravam o amor que um dia já sentiu (mesmo que calado).

Sentia-se impotente, insegura, incompleta. Sabia que o grande erro fora dela. Estava pagando o preço, mesmo nunca imaginando quão caro isso sairia a ela.

Mais uma madrugada se passava e ela continuava na frente do computador, só para admirar aquela plaquinha subindo e a foto na imagem de exibição, mesmo sabendo que ele nunca iria falar com ela, não como ela desejava.

Sonhava que aquele aceno fosse para ela, mesmo sabendo que todo aquele entusiasmo do gesto era para alguém que estava ao seu lado.

Aquele era seu destino: ter as pessoas que mais amou ao seu alcance sem poder tocá-las, sem poder senti-las. Com ele não seria diferente.



Postado por: Senseless Amy às 00h01
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